O oceano muda perto do Natal
Pescadores do Peru e do Equador perceberam que, em alguns anos, a água costeira ficava mais quente e os peixes diminuíam. Chamaram a corrente de El Niño — referência ao Menino Jesus.
02 MEMÓRIA DO PACÍFICO
Antes de virar mapa, índice e previsão, o El Niño era uma mudança percebida por pescadores. Demorou séculos para entendermos que aquele calor local fazia parte de uma engrenagem capaz de reorganizar o clima do planeta.
Conheça os maiores episódios ↓01 PRIMEIRO, UMA DISTINÇÃO
A intensidade costuma ser medida pelo aquecimento do Pacífico tropical, mas os impactos dependem da época, da duração, de outros padrões atmosféricos e da vulnerabilidade de cada região. Por isso, não existe um único ranking perfeito de “pior El Niño”.
02 COMO DESCOBRIMOS
Uma descoberta construída
ao longo de séculos.
Pescadores do Peru e do Equador perceberam que, em alguns anos, a água costeira ficava mais quente e os peixes diminuíam. Chamaram a corrente de El Niño — referência ao Menino Jesus.
Geógrafos peruanos registraram que certos aquecimentos eram muito mais fortes que a variação sazonal e vinham acompanhados de chuvas e mudanças incomuns no oceano.
Estudando as monções, Walker identificou uma gangorra de pressão atmosférica entre o Pacífico e o Índico. Ele a chamou de Oscilação Sul.
Bjerknes mostrou que o aquecimento do Pacífico e a Oscilação Sul são partes do mesmo sistema acoplado. Nascia a explicação moderna do ENSO.
Depois do evento inesperado de 1982–83, a rede de observação se expandiu. Hoje, boias, navios, satélites e modelos acompanham calor, vento, pressão e nível do mar.
03 EPISÓDIOS EXTREMOS
Os eventos modernos mais fortes não formam um pódio exato: métricas diferentes observam temperatura, vento, pressão e distribuição do calor.
Reconstruções climáticas colocam este episódio entre os mais fortes desde o século XIX. Seus efeitos coincidiram com secas e crises alimentares em várias partes do mundo, mas os dados anteriores ao monitoramento moderno têm maior incerteza.
Foi um dos três maiores do registro moderno e se desenvolveu sem ser reconhecido a tempo. O episódio expôs as limitações da observação oceânica e impulsionou uma rede internacional de monitoramento do Pacífico.
Desenvolveu-se rapidamente e virou referência de El Niño extremo. Satélites registraram a expansão da água quente pelo Pacífico, enquanto enchentes, secas e alterações na pesca apareceram em diferentes continentes.
Temperatura do mar, chuva e pressão atmosférica chegaram a níveis comparáveis aos de 1982–83 e 1997–98. Considerando a incerteza das medições, a NOAA concluiu que não é possível separar estatisticamente os três no topo.
A OMM estimou pico próximo de 2 °C acima da média de 1991–2020 no Pacífico tropical central e oriental. Foi forte, mas ficou abaixo de 1997–98 e 2015–16 nessa comparação.
04 FONTES E MÉTODO
A seleção combina o registro histórico ampliado e o monitoramento moderno. Os três eventos de 1982–83, 1997–98 e 2015–16 são tratados como estatisticamente empatados no pico de temperatura quando se considera a incerteza dos dados.
Fontes principais: NOAA Climate.gov, NOAA Physical Sciences Laboratory, NOAA AOML, NASA Earth Observatory e Organização Meteorológica Mundial.